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Bigu terá a missão de formar jogadores e descobrir talentos

Ademir Chagas, conhecido como Bigu, será o responsável por comandar a categoria sub 20 do Nacional Atlético Clube no Campeonato Paulista deste ano.

Com o desafio de formar uma equipe em apenas quinze dias, a preocupação inicial do técnico, recém-contratado, foi selecionar garotos em avaliações num período muito curto de tempo, treiná-los e estrear com a equipe no último sábado (14/04), em uma competição com tamanha magnitude.

“De imediato, o importante não serão os resultados e sim descobrir jogadores com potenciais”, afirmou o treinador.

Bigu teve a maior parte de sua carreira futebolística consagrada no Flamengo do Rio. Atuou também no Vitória da Bahia, jogou na África do Sul, Portugal e Espanha. Já com a idade mais avançada, voltou para o Brasil e ainda defendeu as cores do Paysandu, América do Rio, Santo André e São Caetano, onde iniciou sua carreira como treinador.

“É o caminho natural que muitos fazem. Acabam virando treinador por estarem envolvidos no futebol, mas só tomei essa atitude quando realmente tive a certeza de que poderia contribuir com o meu conhecimento. Tirei um pouquinho de cada técnico que conheci e coloquei o meu jeito de trabalhar. Sou exigente. Eu vim de uma escola do tempo em que se jogava futebol na essência, com toque de bola, posse de bola e liberdade do jogador de qualidade para criar”, explicou.

O treinador ainda ressaltou a diferença do futebol que praticava com o da atualidade: “É muito distinto. O futebol tinha mais propriedade, tinha mais jogadores de qualidade num só time. Quatro ou cinco jogadores de seleção na mesma equipe. Hoje você só tem um, ainda quando tem. Faltam talentos, muitos saem prematuramente do Brasil. Você vê garotos de 13 e 14 anos sendo levados embora constantemente”.

Bigu deu ênfase sobre sua primeira experiência como treinador no São Caetano e o que pensa sobre a carreira. “Parei de jogar em 99, porém não comecei como treinador direto. Primeiro foi um aprendizado, queria conhecer, ver se tinha condições de fazer algo diferente, pois acho que todo treinador deve saber se ele pode passar o que aprendeu. Tem muita gente que jogou futebol, no entanto, não consegue passar o que sabe”.

Depois do time do ABC, Bigu treinou também o sub 15 da Portuguesa. No começo do mês de abril, surgiu a oportunidade de dirigir a equipe da Barra Funda e ele, mesmo sabendo do desafio, não se intimidou e abraçou a causa.

“Tivemos quinze dias para montar um time sub 18 a fim de disputar um Campeonato sub 20.  Só que esses jogadores sub 18 não são atletas prontos, não tiveram uma base. Mesmo com as dificuldades que enfrentamos, com treinamentos no campo sintético, que é muito diferente da grama, fizemos um único jogo-treino contra o Santo André que, em condições normais, eu nem aceitaria fazer. Se tivesse mais dias para começar o Campeonato, eu não faria, pois sabia que não estavam preparados porque iam enfrentar um time mais experiente, que jogou a Taça São Paulo. Não tínhamos condições físicas para fazer um jogo deste, mas, ao mesmo tempo, precisávamos ver alguns jogadores. Saber se realmente teriam condições para poder contar com eles lá na frente. Tínhamos que estrear contra o Juventus, que também disputou a Copa”, disse.

O técnico acredita que o desafio é grande e será um trabalho a longo prazo. “Tenho de moldar jogador à filosofia do futebol moderno e não à minha filosofia. Para tanto, precisamos ter uma preparação física a longo prazo para depois entrar na parte técnica. Nós tivemos que fazer tudo isso de uma vez só. Ao mesmo tempo que treinava o time, tinha que observar jogadores que vieram de peneiras e foram muitos. No futebol, você tem que correr risco, mas um risco calculado”, afirmou.

Bigu ainda falou que fará atividades em Pirituba. “Assim, acredito que a adaptação vai ser um pouco melhor, entretanto, para disputar um Campeonato Paulista perante outras equipes, temos consciência de que o Nacional é o time que ainda está menos preparado para a competição pelo pouco treinamento que teve. Apenas três ficaram do elenco remanescente da Copa São Paulo e a maioria são jogadores que não conhecemos jogando. Vamos conhecê-los dentro da competição, no entanto, continuo acreditando naquilo que estamos fazendo, mesmo com as dificuldades, penso que vamos colher bons frutos, porque os atletas estão com muita vontade”.

Bigu explicou que a prioridade do Clube é a formação, mas, segundo ele, isso é um trabalho que requer tempo. “Acredito que com o tempo os resultados vão aparecer. Sabemos que vamos disputar um Campeonato difícil.  A nossa chave é muito forte, porém, ao mesmo tempo, é desafiadora também. Todo mundo quer jogar contra Corinthians, São Paulo, Portuguesa, Guarani e Juventus. Essa é a motivação que eu quero que eles tenham. Não por ser uma chave forte, mas que isto seja uma oportunidade, um ânimo a mais para ver realmente com quem podemos contar”.

Para o treinador, o espírito tem que ser diferente.  “É uma questão de personalidade também. Neste momento precisamos de um grupo forte. A individualidade vai aparecer naturalmente dentro do contexto. O atleta deve saber que a jogada se apresentará para ele e não ele para a jogada.  Acho que o craque é o jogador perfeito. Já identificamos alguns jogadores com potencial para serem acima da média, desde que sejam bem desenvolvidos. Eles têm algo a mais para serem diferenciados e, futuramente, quem sabe, craques”, finalizou.

Fotos: Vinícius Melchior

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